Flor de Ouro

A flor de ouro por Sonia Lyra

A flor simboliza a quintessência das vias budista e taoista a serem trilhadas em busca do despertar de certo potencial secreto, enquanto que o ouro representa a luz. Embora a finalidade dos exercícios propostos por ambas as vias seja não utilizar imagens ou ideias, indo direto à raiz da consciência, ou seja, ao nível mais alto da prática proposta pela técnica da Imaginação Ativa, entende-se que essa busca deva se iniciar ao modo de estágios básicos de assimilação da sombra à luz. 

A abertura da flor de ouro da luz mental é usada somente para aludir a um efeito que na realidade não se pode expressar. Todo o processo consiste em volver a luz para o interior, utilizando-se o método da inversão, para encontrar a água da vitalidade, o fogo do espírito e a terra da atenção. Se a consciência não for detida, sua substância escura, a anima inferior, não pode ser transformada. Quando transformada, por uma espécie de re-ligação, toda obscuridade transformar-se-á em luz. 

O tratado da Flor de ouro pressupõe o despertar de um certo potencial secreto. “Cada um já possui a lâmpada da mente, mas é necessário acendê-la para que brilhe” (TUNG-PIN, 1993, p. 60), comenta o mestre chinês, buscando com isso, a sua autonomia. Percebe-se naturalmente, aqui, o paralelo com a imaginação ativa, uma vez que a assimilação do inconsciente pela consciência despotencializa a atuação até então autônoma do inconsciente, promovendo agora a autonomia da consciência.

Após as transformações mais grosseiras e imediatas, vão surgindo naturalmente novas e mais sutis dimensões que começam a se distanciar da linguagem corriqueira e traduzir-se cada vez mais em experiências que escapam a esta linguagem mas que, nem por isso deixam de acontecer de forma mais sutil e elevada, chegando a emergir ao modo do terceiro e último nível da Imaginação Ativa, ou seja, a captação da sua dimensão espiritual: o desabrochar da Flor de Ouro! O seu segredo? A busca! Sua presença? Uma torrente infinita de intuições, criatividade e inspirações.



A marca

Toda a natureza é atraída pela proliferação da flor. São símbolos de beleza, perfeição, pureza, fertilidade, alegria e ressureição. A forma mais simples de flor, radial, é a mandala natural, que liga simbolicamente a flor, o círculo e o movimento eterno, cósmico, em redor de centro místico orientador. As cacterísticas bissexuais da flor sugerem a união dos opostos no devir do Self. A flor é símbolo do oculto lugar onde se semeia, dentro de nós próprios, apoiada por múltiplas energias participantes. No budismo, a flor de lótus significa iluminação e a flor dourada da alquimia chinesa a obtenção do corpo de diamante através da circulação interior da luz.

O ouro é raro – no entanto, existe no mundo inteiro. O ouro é o mais perfeito dos metais. Para o alquimista, representa a perfeição de todo o assunto em qualquer nível, tendo isso na mente, espírito e alma. O resultado da dedicação do Alquimista ao processo era expressa como “lapis philosophorum” ou “pedra filosofal” um tesouro interno ou estado de perfeita harmonia simbolizado pela mistura correta de enxofre e mercúrio. A Alquimia também está associada ao processo de prolongamento da vida e à luta pela imortalidade criando um elixir da vida ou “ouro potável”.

Em todos os setores existem premiações douradas. O vencedor em sua categoria recebe a medalha de ouro. O ouro é resistente a ácidos e álcalis, não oxida nem enferruja. As alianças de casamento são de ouro não apenas pelo valor desse metal; é também porque o ouro, depois de ficar durante anos no dedo, continua a brilhar como no primeiro dia. O poder também deve durar eternamente, por isso, todos os símbolos de poder são dourados. O ouro é também, em sentido figurado, a cor da durabilidade. É a cor dos grandes jubileus. As bodas de ouro de um casamento, por exemplo, acontecem quando esse completa 50 anos.

Em todos os setores existem premiações douradas. O vencedor em sua categoria recebe a medalha de ouro. O ouro é resistente a ácidos e álcalis, não oxida nem enferruja. As alianças de casamento são de ouro não apenas pelo valor desse metal; é também porque o ouro, depois de ficar durante anos no dedo, continua a brilhar como no primeiro dia. O poder também deve durar eternamente, por isso, todos os símbolos de poder são dourados. O ouro é também, em sentido figurado, a cor da durabilidade. É a cor dos grandes jubileus. As bodas de ouro de um casamento, por exemplo, acontecem quando esse completa 50 anos.

O ouro pertence ao Sol. Segundo uma antiga concepção, cresce de seus raios. O ouro é também fogo celestial que cai sobre a Terra. Para os incas, o ouro era o sangue solar. Os astecas consideravam o ouro o excremento do deus do Sol. Em sua língua, ouro é “teocuitatl”, que significa “dejetos divinos”.

Na simbologia cristã, o ouro não é sagrado, mas é atributo do divino. À luminosidade sagrada chamamos “auréola”, que tem seu nome derivado de ouro em latim, “aurum”. Em religiões que adoram os astros como poderes divinos, o Sol corporifica a mais alta divindade. Os deuses solares são sempre masculinos. Os tesouros de ouro dos faraós dão mostras de sua origem celestial, pois eles são filhos de Ra, o deus Sol. Depois de suas vidas terrenas, os faraós retornam para o Sol. O sarcófago em que Tutancamón retornou ao Sol é de ouro – de 225 quilos, ouro de 22 quilates.

O ouro simboliza na pintura medieval a luz transcendental. Até 1500, o fundo dourado foi comum nos motivos piedosos. A pintura icônica russa conserva até hoje o fundo dourado em suas obras. Os dourados que precisam resistir às intempéries, como os das torres de certas igrejas, são dourados no azeite. A folha de ouro é colocada sobre uma mistura aderente de azeite de linhaça e solução de borracha. As dourações a azeite não podem ser polidas, por isso não brilham tanto. Hoje em dia, o ouro quase desapareceu das pinturas, embora permaneça sempre perto dela – as molduras são, em sua maioria, douradas.

A “proporção áurea”, na arquitetura, define a proporção ideal entre largura e altura. Ela é usada para calcular as proporções de uma casa, assim como de suas portas e janelas – e na pintura para calcular a forma que traz maior harmonia. Segundo essa proporção, a relação entre largura e altura é de aproximadamente 5:8. Essa é a mais bela proporção: a proporção áurea.

O Símbolo principal Triquetra, por vezes chamada de triqueta, é um símbolo celta formado por três arcos interligados. Originário das tradições Celtas, ele representa as três faces da Grande Mãe, a energia criadora do universo, cujas três faces são a Virgem, a Mãe e a Anciã. Também representava as estações do ano, que antigamente era dividido em três fases, primavera, verão e inverno. Para os cristãos, o triquetra simboliza a Trindade. 
Esse símbolo pagão foi adotado pelos cristãos com o significado de trindade e eternidade. Isso porque a composição das suas formas geométricas faz com que ela se assemelhe a três peixes. No Cristianismo, o peixe é representado justamente pela transposição de arcos. A palavra peixe em grego, Ichthys, é um ideograma que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. Por esse motivo, ele foi usado como um símbolo secreto pelos primeiros cristãos numa tentativa de se proteger das perseguições. Assim, assumiu o papel de representar um dos principais dogmas do Cristianismo, a Santíssima Trindade, mistério que admite que há três pessoas em um só Deus (Pai, Filho e Espírito Santo).




Santa Trindade. Forma, denota a unidade de três, é muito utilizada na arquitetura das igrejas e catedrais. O próprio signo, contudo é antigo e foi encontrado aproximadamente 300 a.C inscrito na estátua de um rei.


Santa Trindade, variação espanhola.



Santa Trindade, variação.




O conjunto de símbolos Triquetra: Duplicidade três arcos entrelaçados, representando a trindade em suas diferentes varianção, bem como o corpo de 6 peixes. Estrutura piramidal: Leva o mesmo símbolo do triângulo, um dos simbolos geomátricos mais poderosos. Mesmo sendo um dos símbolos geométricos mais simples e fundamentais, o triângulo abrange uma gama de significados. Além de ser o símbolo da trindade dos deuses - Santíssima Trindade - nas culturas cristã, hindu, egípcia e babilônica e, por ser formado por três segmentos, o triângulo faz alusão também às tríades início, meio e fim e corpo, alma e espírito.

Na maçonaria simboliza o desenvolvimento e amadurecimento espiritual sendo que sua base significa a duração e seus lados representam a luz e as trevas. Na Alquimia, os quatro elementos são representados por triângulos equiláteros (com três lados iguais):
O triângulo que aponta para cima: simboliza o fogo;
O triângulo que aponta pra cima e que é cortado por uma linha horizontal: simboliza o ar;
O triângulo que aponta para baixo: simboliza a água;
O triângulo que aponta para baixo e que é cortado por uma linha horizontal: simboliza a terra.

O encontro dos 6 peixes apresenta no centro uma esrela de 6 pontas. As estrelas nos falam do infinito, do visionário, de algo estelar em nós.

A Estrela de Davi, conhecida também como o “Escudo de Davi”, é um símbolo maioritariamente usado por crentes no Judaísmo. É formada por dois triângulos equiláteros sobrepostos. Ela tem o significado de proteção, união do feminino e do masculino, união dos opostos, bem como a ligação entre o céu e a terra. Para muitos historiadores, o símbolo tem origem na palavra Davi, uma vez que no alfabeto hebraico as letras que formam o seu nome têm a forma de triângulo. É um símbolo muito antigo e usado em muitas crenças, religiões e culturas.

Muitas vezes, simboliza o poder e a proteção divina. Desde 5.000 anos a.C. o símbolo, também denominado “Estrela dos judeus”, aparece na arte suméria, bizantina, fenícia, na cultura maia, romana, europeia (Itália, Vaticano, Romênia, Turquia) e, ainda, no Tibete, no Líbano, no Islã, na Mongólia, na Arábia, no Egito, em Marrocos. Por volta do século XVII, essa estrela era utilizada em túmulos. Em 1890 passou a ser o símbolo do sionismo, que é um movimento político de luta pela identidade judaica.

No Cristianismo é identificada como símbolo do próprio Messias, Jesus Cristo, e está presente na bandeira de Israel. No Hinduísmo, é um símbolo muito importante. Isto porque cada ângulo da estrela representa um deus da trindade hindu: Brahma, Vishnu e Shiva, os quais simbolizam respectivamente, o Criador, o Preservador e o Destruidor. Na Maçonaria, a estrela de seis pontas é vista como um símbolo de proteção. Encontrada em muitos templos e escrituras, ela também representa o equilíbrio, a harmonia e a união dos elementos masculino e feminino. Tendo em conta o seu caráter religioso, encontramos a Estrela de Davi em muitos templos, basílicas, catedrais, sinagogas, igrejas e túmulos em várias religiões.


O simbolismo da estrela

As estrelas nos falam do infinito, do visionário, de algo estelar em nós. Durante milhares de anos as estrelas serviram de orientação ao viajante, ao marinheiro e ao peregrino, assim como a consciência, navegando na sua desconhecida escuridão, tira coordenadas a partir das cintilações das formas imagéticas da psiquê. Os antigos descobriram na “roda das estrelas”um mapa divinatório, ou zodíaco, baseado nas órbitas do sol, da lua, e dos planetas relativamente às constelações de estrelas fixas. A astrologia fazia corresponder os céus exteriores como os interiores, calculando a posição dos corpos celestes no momento de um nascimento individual. Contudo, o que aparecia “escrito nos céus” podia parecer destinado. Em Chevalier & Gheerbrand (2015) lê-se que as estrelas são fontes de luz e têm significado celeste, assim como podem representar o conflito entre as forças espirituais da luz e as das trevas. São faíscas surgidas na escuridão do inconsciente. Elas também podem ser entendidas como anjos enviados para anunciar uma nova realidade, mensageiras do Ser Superior, surgidas por meio de uma atitude religiosa, ou seja, pela atenção e pela reflexão. (BORGES, Renata).

A alquimia adotou o tema no seu objetivo de tornar num uno luminoso e unificando os muitos de self. Evocando o centro magnético e a sua capacidade para organizar e sintetizar, a estrela polar, connhecida no Egito como “aquele lugar””ou a “grande cidade”, era visto como o nó do universo, o centro da sua regulação e o trono do grande deus que preside ao circuito cósmico das estrelas (CLARK, Robert e RUNDLE, Thomas). Nessa reflexão, então, podemos pensar que é no homem que a imagem da Scintilla reflete o Ser maior, que é Vida, Amor e Caminho; podemos pensar que é este quem vivifica e dá sentido ao ser que o busca, e especialmente se encontrado esse ser que é buscado. [BORGES, Renata].
Como pontos infinitesimais de luz que iluminam a escuridão, as estrelas quase sempre foram vistas como símbolos celestiais, anunciadores da presença divina. Elas são símbolos arquetípicos que aparecem em tradições sagradas e seculares em todo o mundo. De acordo com os chamas Yakut, da Sibéria, as estrelas eram as Janelas do universo. Seu abrir e fechar o passageiro concedia ou negava acesso ao mundo superior. 

No Livro Vermelho, denominado Líber Novus, Jung propõe que as imagens que surgem na Imaginação Ativa são apenas uma forma de objetivar os conteúdos do inconsciente, Na tarefa que lhe custou 16 anos de elaboração Jung dezenas de vezes desenha a estrela de 8 pontas em suas representações do material do inconsciente.

Como afirma Jung, a Flor de Ouro é a luz, e a luz do céu é o Tao. A flor de ouro é um símbolo mandálico, que irompe do fundo da obscuridade, em cores luminosas e incandescentes, desabrochando no alto sua flor de luz. O movimento de entrelaçamento contínuo da marca, representa, como diz Fausto no Prólogo do Céu, psicologicamente o ato de mover-se em torno de si mesmo, de modo que todos os lados da personalidade sejam envolvidos. “Os polos de luz e de sombra entram em movimento circular, isto é, há uma alternância de dia e de noite. A claridade do paraíso se alterna com a mais profunda e terrível das noites”.

Bougainvillea. Nativas da América do Sul, recebem vários nomes populares, como primavera, três-marias, sempre-lustrosa, santa-rita, ceboleiro, roseiro, roseta, riso, pataguinha, pau-de-roseira e flor-de-papel.




Tradescantia pallida purpurea


Projeto de Identidade Visual por Lex Kozlik


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